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Rato entra para o ‘Guinness’ por farejar mais de 120 explosivos de guerra

Roedor gigante foi treinado para identificar artefatos no Camboja, um dos países mais afetados por minas terrestres no mundo

Um rato gigante, chamado Ronin, entrou para o livro dos recordes ao farejar mais de 120 explosivos de guerra no Camboja, um dos países mais afetados por minas terrestres no mundo.

O feito, registrado pelo Guinness World Records nesta sexta-feira (4), data em que se comemora o Dia Mundial do Rato, deve-se à organização belga Apopo, que treina esses roedores para salvar vidas em áreas devastadas por guerras.

Desde agosto de 2021, Ronin farejou 109 minas terrestres e 15 peças de munição não detonada. Ele superou com folga o recorde anterior de outro “rato herói”, chamado Magawa, que localizou 71 minas e 38 peças antes de se aposentar, há quatro anos.

Graças ao feito, o roedor, de cinco anos, foi nomeado o rato de detecção de minas mais bem-sucedido da história da Apopo. “Suas conquistas excepcionais destacam o papel crítico dos HeroRats [como os ratos são chamados] na desminagem humanitária”, disse a organização em comunicado.

O tratador de Ronin, Phanny, descreve o rato como um “parceiro e colega valioso” e elogia a inteligência e a dedicação do companheiro, que trabalha na província de de Preah Vihear, no norte do Camboja.

Herói de quatro patas

Ronin e os outros roedores da Apopo são da espécie africana gigante de bolsa (Cricetomys ansorgei), leves o suficiente para não detonar explosivos e dotados de um olfato super aguçado.

Eles são treinados em parceria com a Universidade de Agricultura de Sokoine, na Tanzânia. Atualmente, 104 “ratos heróis”, como são chamados, estão em ação pelo mundo, ajudando a limpar áreas contaminadas por conflitos.

No Camboja, que sofre com minas terrestres por causa da guerra civil que afetou o país por mais de 30 anos, o trabalho de Ronin e seus colegas é vital.

Desde 1979, cerca de 20 mil pessoas morreram e o dobro ficou ferido por explosões de minas e munições abandonadas por lá. Em fevereiro deste ano, duas crianças perderam a vida em Siem Reap após a detonação de uma granada da época da guerra.

A princípio, o governo cambojano buscava eliminar todas as minas do país até este ano. Mas o prazo teve que ser adiado até 2030 por causa de obstáculos financeiros e novos campos de minas descobertos na fronteira com a Tailândia.

Tradição de bravura

Magawa, que antecedeu Ronin, recebeu uma medalha de ouro da PDSA, uma organização britânica que reconhece atos de bravura de animais, por limpar 225 mil metros quadrados de terra – o equivalente a 42 campos de futebol – antes de morrer em 2022, aos 8 anos.

Ronin elevou o padrão de qualidade estabelecido pelo colega com foco e paixão pelo trabalho, segundo a Apopo. “Encontrar minas é como um jogo divertido para ele”, disse Lily Shallom, que trabalha na instituição, ao Guinness.

Fora do serviço, Ronin aproveita o tempo livre com brincadeiras em pistas de obstáculos e guloseimas escondidas. Nesta sexta-feira, que também é o Dia Internacional de Conscientização sobre Minas Terrestres, ele terá uma manhã de trabalho seguida de um “banquete especial” como recompensa.

Desde que foi criada em 1997, a Apopo já neutralizou 169.713 minas e explosivos em regiões como África, Europa e sudeste da Ásia, um esforço conjunto de ratos, cães e humanos. Além da desminagem, alguns roedores também detectam tuberculose em amostras médicas, acelerando diagnósticos em áreas de poucos recursos.