Segundo estudo, cerca de 8% da população mundial já passou por ao menos um episódio

Segundo estudo, cerca de 8% da população mundial já passou por ao menos um episódio
A paralisia do sono é uma condição que pode afetar qualquer pessoa, mas é mais comum entre adolescentes e jovens adultos. Estima-se que cerca de 8% da população mundial já passou por ao menos um episódio ao longo da vida, segundo um estudo de revisão feito por uma equipe de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. No Brasil, os dados sobre a prevalência ainda são limitados, mas especialistas indicam que muitos casos não são relatados por medo ou falta de informação.
O fenômeno ocorre durante a transição entre o sono e a vigília, quando a pessoa desperta, está consciente, mas não consegue se mover. Muitas vezes, a experiência vem acompanhada de alucinações visuais e auditivas, tornando o episódio ainda mais assustador. Para esclarecer as causas e os impactos dessa condição, a RedeTV! entrevistou o Dr. Mário Braga, neurocirurgião adulto e pediátrico e professor do curso de Medicina da Pitágoras.
O que causa a paralisia do sono?
De acordo com o Dr. Mário Braga, a paralisia do sono ocorre quando há perda temporária de controle muscular que ocorre durante o sono REM (do inglês rapid eye movement – movimento rápido dos olhos). Ou seja, o corpo permanece paralisado como se ainda estivesse dormindo, enquanto a mente já está acordada. “A pessoa acorda, está de olhos abertos, consciente, mas não consegue se mover”, explicou o especialista.
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento desse fenômeno. O médico destacou que a privação de sono, distúrbios do sono, fatores psicológicos, traumas, uso excessivo de telas, mudanças de fuso horário e até a posição ao dormir podem aumentar as chances de ocorrência. Além disso, a paralisia do sono pode estar relacionada a outros distúrbios do sono, como apneia, insônia e narcolepsia.
Todavia, a ciência ainda não tem uma explicação definitiva sobre o que exatamente acontece no cérebro durante a paralisia do sono. “O que se sabe atualmente é que ocorre uma desestruturação na fase do sono REM, mas como e por que não se sabe concretamente quais vias bioquímicas e fisiopatológicas estão envolvidas”, afirmou o Dr. Braga. Ele acrescentou que novas pesquisas podem trazer respostas mais concretas no futuro.
Passar por episódios frequentes de paralisia do sono pode gerar impactos psicológicos significativos, causando ansiedade, pânico e até medo de dormir. Também há uma ligação com perturbações psiquiátricas, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. “Pacientes com doenças psiquiátricas prévias podem desenvolver paralisia do sono e vice-versa”, afirmou o profissional.
Caso ocorra esse fenômeno, o principal conselho do médico é tentar manter a calma. “Os episódios são passageiros, a paralisia do sono é uma patologia autolimitada e benigna”, alertou.
Como tratar e prevenir?
Para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios, a terapia cognitivo-comportamental pode ser uma alternativa eficaz. Em casos mais graves, medicamentos como antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos da recaptação de serotonina podem ser prescritos, pois ajudam a suprimir o sono REM. No entanto, o Dr. Braga alertou que ainda não há estudos controlados sobre a eficácia desses tratamentos, especificamente para a paralisia do sono.
Mudanças no estilo de vida também podem ajudar na prevenção. O especialista recomendou praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de álcool e tabaco, controlar o estresse e estabelecer uma rotina de sono adequada.
Crenças populares
Por ser uma experiência assustadora, muitas pessoas associam a paralisia do sono a fenômenos sobrenaturais. A sensitiva Márcia Fernandes acredita e defende que todas as noites, ao dormir, realizamos um ‘desdobramento’. “Ou seja, nosso espírito se liberta do corpo físico, que descansa, e retorna ao seu habitat natural”, pontuou em entrevista ao ‘Universa’, do UOL.
A sensitiva também menciona que esses episódios podem funcionar como um tipo de preparação para o espírito. Segundo ela, durante o sono profundo, ocorre um afrouxamento dos vínculos que o mantêm ligado ao corpo, permitindo que, livre da necessidade da presença física, ele se desprenda e interaja diretamente com outros espíritos no espaço.
“O indivíduo passa a ver ou interpretar a presença de espíritos, mas não se trata de obsessão espiritual. Muitas pessoas sem entender o que está acontecendo buscam ajuda em uma força Divina, o que pode significar a busca do ser humano para despertar espiritualmente. Somos todos médiuns e por isso podemos perceber frequências sutis ao nosso redor, em maior ou menor grau de intensidade”, concluiu.
Existe certo ou errado?
Você pode escolher no que acreditar, mas é importante ter cuidados. O Dr. Mário Braga reforça a importância de procurar um profissional de saúde qualificado para orientação adequada e que associações não comprovadas podem ser prejudiciais. “Isso faz com que os mesmos escondam dos pais ou familiares, piorando o tratamento ou dificultando a identificação dos fatores precipitantes”, pontua.
A paralisia do sono pode ser uma experiência angustiante, mas entender suas causas e mecanismos ajuda a reduzir o medo e a buscar formas de prevenção. Caso os episódios sejam frequentes ou impactem a qualidade de vida é essencial buscar acompanhamento médico.