Condição potencialmente letal já infectou 431 pessoas no país. A causa pode estar relacionada a vírus encontrados em morcegos, com investigações ainda em andamento
Condição potencialmente letal já infectou 431 pessoas no país. A causa pode estar relacionada a vírus encontrados em morcegos, com investigações ainda em andamento
O surto de uma doença ainda não identificada na província de Équateur, no noroeste da República Democrática do Congo, tem despertado um sinal de alerta entre as autoridades de saúde. De acordo com o levantamento mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado no dia 16 de fevereiro, a condição já infectou aproximadamente 431 pessoas, e levou 53 delas à morte.
Dentre os principais sintomas relatados pelos pacientes estão: febre, vômito, diarreia e dores pelo corpo. Em alguns casos mais agravados, crianças infectadas também sangraram pelo nariz e vomitaram sangue.
Quase metade dos falecimentos ocorreu dentro da janela de 48 horas, contada a partir do início da manifestação dos efeitos da doença, cuja causa exata ainda permanece desconhecida.
O que dizem as primeiras investigações
Segundo o jornal The New York Times, investigações preliminares sugerem que o surto pode estar relacionado a três crianças que comeram um morcego e morreram em janeiro. Vírus em morcegos são conhecidos por causar uma série de outros problemas em seres humanos, como ebola, febre hemorrágica de Marburg e Covid-19.
Por meio de coletas de sangue, as autoridades já descartaram a hipótese da crise epidemiológica ter sido desencadeada por qualquer um desses três vírus amplamente conhecidos na região. Buscas por novos casos seguem em andamento nas áreas afetadas, inclusive em comunidades, igrejas e instalações de saúde.
Resposta das autoridades de saúde
Com o apoio da OMS e de parceiros da área de saúde, suprimentos médicos e produtos básicos para o gerenciamento de casos, testes laboratoriais e equipamentos de prevenção e controle de infecções estão sendo enviados para as zonas afetadas. Mas, mesmo com todos os esforços em andamento, ainda existem lacunas significativas.
“As medidas de prevenção de infecções podem ser inadequadas se a doença for altamente transmissível”, escreve a OMS. “O fortalecimento do gerenciamento de casos, a expansão das investigações epidemiológicas e o aprimoramento da comunicação de riscos são essenciais”.
De acordo com o órgão, é necessário apoio urgente para reforçar os serviços de saúde, acelerar os testes de diagnóstico e envolver as comunidades para evitar mais transmissões. O objetivo dessas ações visa melhorar a detecção precoce e ampliar a notificação dos casos.
Hoje, a taxa geral de letalidade da doença está estimada em cerca de 12,2%. Seu risco é particularmente alto na Zona de Saúde de Bolomba, onde a mortalidade chega a 66,7%. A rápida progressão levanta preocupações sobre um agente infeccioso ou tóxico grave.