O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou mais tempo para analisar o processo envolvendo o ex-ministro Antônio Palocci, o que resultou na suspensão do julgamento na Segunda Turma da Corte. A análise girava em torno da decisão do ministro Dias Toffoli, que anulou provas e processos da Operação Lava Jato relacionados a Palocci. A Procuradoria-Geral da República (PGR) busca reverter essa decisão por meio de um recurso.
A votação estava prevista para encerrar nesta sexta-feira (4), no ambiente virtual do STF, onde o voto de Nunes Marques seria o de desempate. Com o pedido de vista, o julgamento foi interrompido sem nova data definida. Conforme o regimento interno do Supremo, o ministro que solicita vista tem um prazo de até 90 dias para devolver o processo. Caso isso não ocorra, o processo pode ser automaticamente liberado para voltar à pauta.
Réu confesso, Palocci firmou um acordo de colaboração premiada e revelou pagamentos de propinas que somariam R$ 333,59 milhões, segundo ele, repassados por empresas, bancos e indústrias a políticos de diversos partidos durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A anulação dos processos não interfere na validade do acordo de delação, que permanece em vigor. Como parte do acordo, Palocci pagou R$ 37,5 milhões em multas.
Relator do caso, o ministro Dias Toffoli sustentou que anulou os processos com base na alegação de que Palocci, assim como o presidente Lula, teria sido alvo de ações coordenadas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Segundo Toffoli, a anulação dos processos contra Lula estabeleceu um precedente que pode ser estendido a outros réus em situação similar.