ImprensaMundoPolíticaTelevisão e Cinema

‘Não seja hétero, branco e homem’: BBC paga salário maior a ‘minorias’, revela jornal

Para analistas e políticos, emissora BBC cometeu discriminação | Foto: Divulgação/BBC

Como o título “Como ganhar mais nos altos escalões da BBC: ‘Não seja hétero, branco ou homem”, uma reportagem do jornal britânico The Telegraph publicada neste domingo, 9, revela que a emissora estatal do Reino Unido promoveu discriminação contra homens brancos e heterossexuais.

Mulheres, gays, lésbicas, pessoas de minorias étnicas e deficientes tiveram salários até 15% superiores aos de homens heterossexuais e brancos ao desempenhar as mesmas funções.

A reportagem do Telegraph é baseada em estatísticas divulgadas no relatório anual da emissora pública. “A revelação vem apesar de a BBC ter se comprometido com a igualdade salarial”, afirma o jornal britânico.

A corporação estatal de mídia do Reino Unido adotou as políticas de diversidade, igualdade e inclusão (DEI), que consistem em fazer contratações ao levar em consideração justamente critérios como etnia, gênero e “identidade sexual”.

Segundo o Telegraph, no plano de diversidade, a BBC se comprometeu a “investir em liderança diversificada” e a cumprir suas metas ao contratar 50% de mulheres, pelo menos 20% negras, asiáticas ou étnicas minoritárias, e pelo menos 12% de funcionários com deficiência.

A discrepância salarial na BBC

Os números do relatório anual da BBC de 2023/24 mostram que os gerentes sêniores que são lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) ganham salários 15,6% maiores do que aqueles que não os são.

Gerentes sêniores de origens negras, asiáticas e outras minorias étnicas ganham em média 12,6% a mais do que os brancos.

Os gerentes sêniores com deficiência ganham 8,4% a mais do que aqueles que não são deficientes, e as mulheres em cargos de topo ganham 5,7% a mais do que os homens.

Críticas à discriminação na emissora estatal britânica

Richard Tice, vice-líder da Reform UK, disse que a BBC deveria pagar funcionários com base apenas em “mérito”. “Se você quiser ganhar mais na BBC, não seja um homem branco e heterossexual”, disse Tice ao The Telegraph. “As pessoas devem ser nomeadas e pagas com base no mérito, não em sua etnia nem preferência sexual.”

Elliot Keck, da Aliança dos Contribuintes, disse: “Os pagadores de taxas de licença ficarão consternados com essas diferenças salariais reversas”.

O conservador Stuart Andrew, secretário-sombra da Cultura, disse: “Como emissora pública do Reino Unido, a BBC existe para educar, informar e entreter — não se envolver em engenharia social por meio de políticas salariais aparentemente discriminatórias”. Ele completou: “A BBC deve se concentrar em fornecer conteúdo para pagadores de taxas de licença e manter padrões, em vez de iniciativas divisivas de DEI.”

A BBC já foi acusada de pagar menos às mulheres do que aos homens e foi investigada pela Comissão de Igualdade e Direitos Humanos sobre as alegações. Mas, em 2020, o órgão descobriu que não havia evidências de discriminação salarial ilegal na BBC.

Sobre o novo escândalo, um porta-voz da emissora disse: “A BBC está comprometida com um salário justo e igual para todos, e todas as nomeações são feitas por mérito”.