De acordo com advogado da artista, cenas e depoimentos do programa serão anexados em processo

De acordo com advogado da artista, cenas e depoimentos do programa serão anexados em processo
Hédio Silva Jr., que representa Juliana Oliveira no processo de estupro contra Otávio Mesquita, afirmou que os depoimentos de Ratinho, Igor Guimarães e Cariúcha foram anexados à ação judicial. Em entrevista a Gabriel Vaquer, do jornal Folha de S. Paulo, divulgada nesta quarta-feira (2), o advogado explicou que a ex-assistente de palco quer comprovar que o SBT sabia que ela havia sido violentada e não teria tomado uma atitude.
“O vídeo amplifica o rol de testemunhas que sabiam que Juliana reclamava do ocorrido e não era ouvida. Foi anexado aos autos inclusive porque traz a terceira versão do agressor. Primeira: seria uma calúnia; segunda: tratou-se de uma inofensiva brincadeirinha; terceira: cena visivelmente ensaiada um ano antes o autorizaria a fazer o que fez“, afirmou.
No “Programa do Ratinho” da última segunda-feira (31), Ratinho decidiu fazer uma enquete com o público e os jurados do quadro “Dez ou Mil”, questionando se Mesquita teria realmente cometido um estupro contra Juliana. O apresentador falou que a situação foi desagradável, mas que “a palavra estupro é forte demais“. “É um assunto muito delicado. Eu não vou dizer se isso é um caso de estupro ou não, quem vai dizer é a Justiça. A minha opinião é que essa brincadeira do Otávio extrapolou o bom senso, mas transformar em um estupro, acho um pouco demais“, comentou.
“A minha dúvida é ter revelado tanto tempo depois. Dá a impressão que é oportunismo, mas eu não sei se é. Pode ser que ela tenha tido medo de perder o emprego, por isso não fez antes. Então, ninguém pode julgar o que passou no íntimo dessa moça. O programa era gravado e eu tenho certeza que se ela tivesse pedido para cortar a cena para o próprio Danilo [Gentili], o diretor teria atendido. Tenho certeza absoluta. Os tempos estão muito difíceis e acusações desse tipo podem marcar definitivamente pessoas, precisa ter cuidado pra não transformar algo impensado em estupro“, completou o apresentador.Igor Guimarães e Cariúcha defenderam Juliana no ‘Programa do Ratinho’. (Foto: Reprodução/SBT)
Cariúcha e Igor Guimarães, que trabalha no “The Noite“, integravam o time de jurados e discordaram de Ratinho. “Antigamente, o termo estupro era quando tinha uma relação sexual. Eu já passei por um estupro coletivo, era penetração. O da Ju, no meio jurídico, se enquadra o assédio como estupro, quando incomoda a mulher, quando o ‘não’ é ‘não’. Eu conheci a Ju, e ela é uma menina bem bacana. Mas ela se sentiu incomodada, e ‘meu corpo, minhas regras’. Quando a mulher não quer, não pode nem tocar e nem brincar“, defendeu Cariúcha.
Guimarães também apoiou Juliana e afirmou que a ex-colega de palco levou o caso para a emissora. “Acho uma situação muito delicada, que ela até levou ao SBT. E acho que é uma coisa que devia ter sido tratada aqui, de uma forma mais abrangente, porque era uma coisa que a incomodava muito, pelo que eu sabia“, comentou. “Eu estou sempre do lado da mulher. Não sei o que aconteceu, não estava no programa naquela época, mas acho que depende de como se sentiu também“, esclareceu.
Assista:
URGENTE! Ratinho fala sobre a acusação de "Estupro " que Juliana Oliveira move contra Otávio Mesquita.#TheNoite #ProgramaDoRatinho pic.twitter.com/LQf8y8lNDL
— Brenno (@brenno__moura) April 1, 2025
URGENTE! Ratinho fala sobre a acusação de "Estupro " que Juliana Oliveira move contra Otávio Mesquita.#TheNoite #ProgramaDoRatinho pic.twitter.com/LQf8y8lNDL
— Brenno (@brenno__moura) April 1, 2025
🚨 ELA HABLA: Cariúcha defende Juliana Oliveira no #ProgramaDoRatinho em acusação contra Otávio Mesquita.
— Silvinho (@silvinhotv) April 1, 2025
"Meu corpo minhas regras. Quando a mulher não quer, não pode tocar, nem brincar."#DezOuMil @cariuchaoficial pic.twitter.com/ynwfJnPmnO
Relembre o caso
Juliana Oliveira acusou Otávio Mesquita de estupro por conta de um episódio do “The Noite”, exibido pelo SBT em 25 de abril de 2016. Na época, ela trabalhava como assistente de palco do talk show. De acordo com a representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo no dia 27 de março, o apresentador teria apalpado os seios e a região íntima de Juliana, diante das câmeras e da plateia, enquanto ela tentava se esquivar. A cena foi ao ar e continua circulando nas redes sociais.
No último domingo (30), Juliana comentou a denúncia em suas redes sociais. “Não foi fácil! Tornar pública a minha dor e buscar Justiça foi uma decisão difícil“, escreveu. Ela também declarou que, por ora, se afastará da internet. “Neste momento, escolho o silêncio para me resguardar, organizar meus sentimentos, me afastar dos julgamentos da internet e encontrar apoio na minha família. Quando me sentir pronta, vou falar — não para aparecer, mas para encorajar outras mulheres a denunciarem qualquer tipo de abuso“, concluiu.
Mesquita também se defendeu publicamente e chamou a denúncia de “acusação caluniosa”. Em um vídeo, ele afirmou: “Eu estou realmente chateado e triste. Que loucura isso! Eu demorei pra entender do que se tratava“. O apresentador alegou que tudo teria sido uma “brincadeira combinada” e questionou o tempo entre o ocorrido e a denúncia. “Tudo foi ao ar há quase dez anos e hoje nasce essa acusação caluniosa contra mim. Absurdo isso“, disse. Segundo ele, a sua ex-mulher e seu filho estavam na plateia no dia da gravação. “Como eu ia fazer uma bobagem dessa?“, completou.
O Ministério Público informou que a representação está sob análise da Promotoria de Justiça Criminal de Osasco. Juliana foi demitida do SBT em fevereiro deste ano, quando trabalhava como repórter do programa “Chega Mais”, extinto pelo canal. O SBT ainda não se manifestou sobre a polêmica.